Nesta data comemorativa em que o Mundo me viu pela primeira vez às 4.30 da manhã, morria há 55 anos (1949), em Coimbra, um dos poetas populares mais conhecidos, e por quem nutro uma especial admiração, António Aleixo.
Aqui fica um pouco das suas quadras:
Sou humilde, sou modesto;
Mas, entre gente ilustrada,
Talvez me digam que eu presto,
Porque não presto p’ra nada.
Eu não tenho vistas largas,
Nem grande sabedoria,
Mas dão-me as horas amargas
Lições de filosofia.
Tu não tens valor nenhum,
Andas debaixo dos pés,
Até que apareça algum
Doutor que diga quem és.
À guerra não ligues meia,
Porque alguns grandes da terra,
Vendo a guerra em terra alheia,
Não querem que acabe a guerra.
Depois de tanta desordem,
Depois de tam dura prova,
Deve vir a nova ordem,
Se vier a ordem nova
Eu não sei porque razão
Certos homens, a meu ver,
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer.
Vemos gente bem vestida,
No aspecto desassombrada;
São tudo ilusões da vida,
Tudo é miséria dourada.
Os novos que se envaidecem
P’lo muito que querem ser
São frutos bons que apodrecem
Mal começam a nascer.
A notícia de Teresa Patrício Gouveia como a nova ministra do Governo de Durão Barroso supreendeu muita gente, entre elas, Ricardo Costa. No dia da demissão de Martins da Cruz, Ricardo Costa jurava pela sua honra, tentanto ironizar com Martins da Cruz, sobre a notícia que a SIC avançava de o novo ministro ser o actual embaixador de Portugal na REPER. Ricardo Costa chegou mesmo a pedir ao PM que o suprendesse. E Durão fez-lhe a vontade, a ele e provavelmente a muita gente. Teresa Patrício Gouveia volta a governar uma pasta ministerial em governos dirigidos pelo PSD, e pela sua postura, pela sua empatia e principalmete pela sua discrição será concerteza um grande trunfo de Durão Barroso para a recta final deste mandato. Tem pela frente a missão de negociar, se é que é possível, as alterações à Constituição Europeia que Portugal tenta impor, e que o núcleo duro europeu não está minimamente interessado. Quanto às demissões dos ministros Pedro Lynce e Martins da Cruz, concordo com José António Saraiva, quando considera que o país não pode ver os seus ministros demitirem-se constantemente por notícias da comunicação social. Não é vantajoso, nem em termos económicos, nem termos de estabilidade política e social.
6 Outubro 2003