Hoje estou triste mas acima de tudo revoltado.
Acabo de deixar um amigo com a idade de Cristo na sua última morada. Faço-o porque infelizmente em Portugal continua-se a morrer por negligência médica.
Faz hoje quinze dias que o meu amigo foi operado a uma apendicite no Hospital Amadora-Sintra de urgência.
Nessa mesma operação, o médico que a realizou, furou o intestino grosso do meu amigo, não tendo efectuado qualquer reparação no erro, provavelmente dirá que não se apercebeu.
Passado a operação e após ter sido cozido até à exaustão, ninguém reparou que algo tinha corrido mal, nas 36 horas em que o meu amigo passou no Hospital.
Mandaram-no para casa!
Passado uma semana, a febre e as dores não passavam, e na medida em que, possuía um pacemaker instalado há 10 anos, foi ao Hospital de Santa Marta onde era assistido regularmente, como forma de esclarecer o problema, já que pensava que poderia ter relação operação-coração.
Em Santa Marta detectaram que tinha os rins fechados, e transportaram-no de urgência para o Amadora-Sintra com a recomendação de fazer Hemodiálise.
Quando chegou ao Hospital o seu estado já não era o melhor, e os médicos optaram por o esventrar novamente e solucionar algo que já não tinha remédio.
Morreu na noite de Segunda para Terça, com 33 anos, nas mãos do médico.
Para além de tudo isto, e como sempre se faz neste país, não queriam permitir à mulher que efectuasse a autópsia fora do Hospital, alegando mais rapidez no funeral.
Ela bateu o pé e bem, e efectuou a autópsia, que se aguarda, no Instituto de Medicina Legal.
O Fernando era o amigo brincalhão, para quem não havia adversidade, apesar de todos os azares, como o que tinha sofrido há três anos na A1, quando entrou em slide, face à chuva que se fazia sentir, e sobreviveu com múltiplas fracturas.
Era o amigo com quem discutiu mais sobre a vida do nosso Glorioso, era o amigo que fazia rir todos nos jantares, era o amigo que tinha finalmente acertado a sua vida profissional, e que foi transportado para a sua campa pelos homens a quem tanto ajudou outrora a vestir outros que também já estão do outro lado da porta.
Foi esse o seu desejo final!
Para quem nada disto passe incólume, prometi a mim mesmo, quando o vi descer para debaixo da terra, que farei tudo ao meu alcance para quem cometeu tal barbaridade, sofra as consequências dessa mesma barbárie.
Até já Fernando!
:(