dezembro 01, 2004

Decisões?!...

A decisão presidencial peca em vários aspectos.
Podem muitos dizer que foi tardia, que foi a consequência de quatro meses de algumas falhas de informação e algumas precipitações.
Mas, a realidade é uma: existia estabilidade governativa e parlamentar.
Mais irrealista é a decisão de Sampaio, quando o Presidente decidi que o Parlamento deve aprovar o orçamento e depois é dissolvido.
Tem alguma lógica?
Provavelmente a próxima terça-feira aquando da aprovação do orçamento ficará nos anais do ridículo nacional.
Aprova-se um orçamento só para não governar um país por duodécimos, e se dar um aumento à função pública, mas perguntamos todos, e se o PS ganhar em Fevereiro, voltamos aos rectificativos?
Sampaio abre ainda o flanco, para que muitos pensem que esta decisão só vem provar que Sampaio quis dar estabilidade directiva ao PS durante os últimos quatro meses e prepará-los para as eleições antecipadas.
Em Julho, quando Sampaio decidiu pela continuidade, tinha definido alguns pontos que na minha opinião tinham feito Sampaio aceitar a continuação dessa coligação:

- Com a retoma que está a chegar ao país, marcar eleições significa perder o comboio da mesma retoma, porque Portugal parava mais de nove meses, com governos de gestão, eleições e orçamentos fora de horas.
- Poderá controlar o governo de uma forma como nunca nenhum Presidente em Portugal teve oportunidade, podendo com isso, controlar PSL e Portas.
- Não sabia como o povo votaria, não sabia que governo iria ter a seguir às eleições, se PS-BE, se PSD-PP, se nenhum.

Hoje, e tomando estes pontos de reflexão, acho que realmente Sampaio não decidiu de forma correcta.
Só e apenas nesse caso, se Sampaio entende que não possui controlo nenhum sobre o Governo, e então acaba com o mesmo.
Em Julho, muitos amigos consideravam que tudo não passava de uma jogada de Sampaio em conluio com alguns elementos do núcleo duro do PS.
Dizia-se então, que muitos elementos do PS, apesar de reclamarem pelas eleições antecipadas, em privado tinham outra opinião, considerando que Ferro Rodrigues não era a pessoa ideal para o futuro Governo.
Bem vistas as situações, o PS tem hoje um líder mais forte, ou digamos, mais mediático, menos desgastado, e com maiores oportunidades de vitória.
Como ontem alguém me dizia, agora é hora de ir para a guerra.

Publicado por TMA em dezembro 1, 2004 10:53 PM
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