agosto 11, 2004

Um dia na Bola

Hoje era um dia muito aguardado, era o início de mais uma época futebolística em que muitos esperam que seja o seu ano.
Como jogo grande que era, casa cheia, a abarrotar, naquele que foi o estádio das nossas alegria e da nossa grande tristeza no Euro 2004.
Com tal lá foi a família toda ver o novo Benfica, o do avó Trapattoni.
Sinceramente não ia com muita fé, e pelo que tinha visto nos últimos jogos, a fé era apenas aquela ínfima parte que um benfiquista tem no seu coração.
Para começar, a sempre guerra de cadeiras no novo estádio da Luz.
Será que haverá algo dia em que eu chegue ao estádio e ninguém esteja sentado na minha cadeira?
Depois, bem depois veio o jogo, rodeado da família e de uma verdadeira colónia portuguesa residente em Paris que misturava a conversa com os filhos entre o português e o francês.
Triste diga-se.
Assim como o jogo, muito triste.
A primeira parte ainda nos trouxe um grande "bico" de Zahovic a dar golo e a fazer explodir toda aquela mole humana.
Bem depois, depois foi o Benfica de Trapp, aquele que eu tanto medo tinha em encontrar esta época.
Um Benfica a defender o 1-0, o Yannick a atirar-se para o chão sempre que tinha a bola nas mãos, como se ainda estivesse no Alverca, Simão irreconhecível toda a segunda parte, porque Trapp não queria que ele subia para lá do meio campo, um Sokota coitado bombardeado por bolas que vinham da defesa, e que ele não sabia o que fazer, porque ninguém estava ao seu lado.
A desilusão da troca de ponta de lança por ponta de lança, quando toda a Luz assobiava e pedia por mais, porque é isso, a que estamos habituados.
Não foi um jogo bonito, não é o Benfica de Camacho ao ataque, é um Benfica ao estilo italiano, ao estilo do saudoso Mortimore, e pode ser um Benfica sofrível à Toni.
Pode com certeza disser, mas foi esse Benfica sofrível que foi pela última vez campeão.
É verdade, mas hoje em dia o futebol é espetáculo, porque nessa época eu pagava apenas as quotas, e hoje, além das mesmas ainda pagou 40 contos para ver o Benfica toda a época.
É verdade, que foi assim, que os gregos foram campeões europeus, mas com uma excepção, apesar de não atacarem jogavam bem, pressionavam e principalmente sabiam defender.
Caro Nuno, o Benfica sobe a pouco, porque o Benfica não sabe jogar à defesa, e o avó Trapp, ainda não percebeu isso.
Mais, o que fará Trapp quando perceber que em Portugal todas as equipas que jogam com o Benfica, à excepção de Porto e Sporting, jogam à defesa?
Começo a questionar se valia pena comprar cativo, mas tudo bem.
Para final de festa, lá vinha a avozinha (+- 65 anos)no metro com uma T-Shirt bem vermelha com uns dizeres em branco "Welcome to Virgin Territory".
Também ela foi falada nesta noite de bola.

Publicado por TMA em agosto 11, 2004 01:31 AM
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