Tinha prometido que não faria qualquer comentário até ao fim do Euro sobre a Selecção.Mas hoje é impossível não fazer.
E começo apenas com uma pergunta, por muito melindrosa que seja:
Quem é Vitor Baía?
Portugal, a sua Selecção foi hoje:
- Forte.
- Ambiciosa.
- Corajosa.
- Com alma.
- Com coração.
Foi numa palavra enorme.
Portugal ridicularizou a Inglaterra que se limitou a ficar refém de um golo logo aos dois minutos, para depois defender, defender, defender.
Que defende arrisca-se a sofrer, foi das primeiras frases que o meu papá me ensinou quando me levou ao Estádio da Luz, tinha eu uns 5 anos.
Portugal foi grande, foi equipa, foi fantástica.
A festa na Avenida que atravessa a minha casa, ainda não acabou, Queluz ainda não foi para a cama, apesar de amanhã ser dia de trabalho.
O povo, esse povo que tanto grita, que tanto vibra, que tanto chora (como aquela senhora que apareceu na imagem da RTP), continua a acreditar em ti Portugal.
Scolari foi mestre, acreditou que era possível, teve uma atitude exemplar, em uma palavra teve tomates, porque teve a coragem que muitos não teriam de tirar Figo em défice físico e mental e pôr um senhor chamado Postiga que não devia jogar à mais de seis meses.
Ricardo Carvalho (MVP do Jogo) acaba de dizer à RTP que não fez um jogo do outro Mundo, se ele o acha então como será quando o fizer.
Rui Costa, o velho, parece que calou todos aqueles que o criticaram, é um golo de outro Mundo comparável ao Figo em Eindhoven.
E agora, bem agora, é acreditar, é continuar a festa, é Scolari dar mais que um abraço à sua esposa, é Deco continuar, é Ricardo a mostrar o seu valor.
As últimas palavras para Ricardo e Figo.
Um pela positiva e outra pela negativa.
Ricardo foi grande, foi corajoso, foi sereno, mostrou que naquele momento, era o seu.
Mostrou que apesar de tudo o que lhe tinham dito, ele achou que era a sua hora.
Aquela defesa sem luvas, fez provavelmente Lev Jaschin sorrir dentro do seu túmulo.
Quanto a Figo, a sua atitude, apesar de Scolari, o ter defendido na Conferência de Imprensa dizendo que estava a rezar com a santinha, não tem explicação.
Figo era o capitão, não podia, não devia (porque infelizmente pode, fê-lo) sair daquela maneira.
Figo tem que perceber que continua a ser idolatrado por muitos, mas também tem que perceber que a sua hora está perto do fim, e por isso, precisamos dele para levantar o caneco.
Fernando Couto, o verdadeiro capitão, que levantará, se Deus quiser, o caneco no dia 4 de Julho, esteve lá, apoiou, gritou, ajudou, e deu exemplo.
Para quem não reparou foi o último a entrar em campo, apesar de suplente, atrás de todo o onze.
É nestas horas, que se vêem os homens com H grande.