Apesar de tudo, apesar de termos apenas 11, apesar de não termos o verdadeiro nº 1 (Moreira), apesar de ser as feijões, apesar de termos feito uma boa 1ª parte, apesar de termos empatado à rasca, julgo que Pauleta merece este poema ainda para mais quando completou 31 anos.
Pássaro das Ilhas
Pássaros das ilhas: no vosso voo
há uma vontade,
há uma arte secreta e uma divina ciência,
graça de eternidade.
As vossas evoluções, academia expressiva,
sinais sobre o azul,
levam ao Oriente fantasia, ao Ocidente ânsia viva,
paz ao Norte e ao Sul.
Eis perante os vossos olhos
a glória das rosas e a inocência dos lírios,
eis perante as vossas asas líricas as brisas de Ulisses,
os ventos de Jasão:
Almas doces e herméticas que ante o eterno problema
sois, em número veloz,
o mesmo que a rocha, o furacão, a gema,
o arco-íris e a voz.
Pássaros das ilhas, oh, pássaros do mar!
vossos voos, sendo
bênção, dos meus olhos, são problemas divinos
da minha meditação.
E com as asas puras do meu desejo abertas
para a imensidade,
imito os vossos círculos em busca das portas
da Verdade única.
Rubén Dário - Tradução de José Agostinho Baptista