Luisa Schmidt escreve no Expresso esta semana sobre Monsanto e as obras que Santana quer colocar no Parque Natural.
Não podia estar mais de acordo com o que escreve.
Sempre tive admiração por Pedro Santana Lopes (PSL), estive quase sempre ao seu lado nas tomadas de posição que tinha no partido, achei sempre que PSL era uma lufada de um ar menos carregado na política portuguesa.
Apesar disso, não faço parte dos que seguem os seus companheiros apenas por o serem.
Quando PSL ganhou Lisboa acreditei que Lisboa ia mudar e na realidade, de uma forma geral Lisboa mudou.
E o Monsanto também mudou, deixou de ter aquelas profissionais que há muito fazia do Parque o seu "escritório", passou a ter vias para ciclistas, passou a ter o trânsito cortado em certas zonas, passou a ter um Parque Ecológico.
Mas, PSL decidiu por si só, que Monsanto devia ter actividades lúdicas e então decidiu que ia para Monsanto: a Feira Popular, o Espaço Zen dos Budistas, O Hipódromo do Campo Grande, e pelo que sei quer montar uma descida de Ski com neve artificial.
Chegado a este ponto, façamos um pouco de história.
O Parque de Monsanto foi idealizado por Duarte Pacheco e Keil do Amaral e "construído" em 1936.
Tinha como objectivo o corte dos ventos que assolavam Lisboa vindos de Noroeste e Oeste e provocavam verdadeiros vendavais na cidade, e servia também para criar um pulmão à cidade que começava naquela altura a alargar as suas zonas periféricas, permitindo também, a estagnação das cheias nas zonas baixas da cidade.
Ora com a colocação do hipódromo (40 Hectares) e da Feira Popular (20 a 30 Hectares) só por si, o abate de árvores que será feito em Monsanto irá interferir com vários factores meteorológicos.
Para além da cidade perder o seu pulmão, passará a mesma, a sofrer novamente dos ventos de Noroeste e Oeste, sendo os mesmos, nesta época bem mais consideráveis que os da década de 40 do século passado, para além de o abate de árvores permitir a constituição de cheias nas zonas baixas contíguas a Monsanto como é o caso, do Vale de Alcântara.
Para exemplo, o Vale de Alcântara e toda a construção efectuada na Av. de Ceuta (os bairros de reconversão do Antigo Casal Ventoso) está por cima, de uma verdadeira ribeira que desagua no Tejo.
Com o abate em Monsanto as águas vão subir aquando da chuvas, provocando cheias em toda aquela zona, podendo alagar não só as garagens como os andares mais térreos daquela zona.
Diga-se que as garagens com fortes chuvas já ficam alagadas na zona da Quinta do Cabrinha.
Com a ida do hipódromo para Monsanto PSL abre outro precedente a construção de habitações naquela zona, por uma razão muito simples.
O hipódromo no Campo Grande possui habitações no seu interior onde vivem os tratadores e restante pessoal que cuida dos cavalos.
Esses funcionários têm que ser realojados, e para o serem têm que continuar junto dos cavalos, ou seja, construção de habitação em Monsanto, ou seja, os tão famosos «pato bravos» têm o precedente que sempre quiseram.
Para quem não tenhamos daqui a 10 ou 20 anos uma árvore em Monsanto com um lápide com os escritos «Aqui jaz aquilo que se pretendeu ser um Parque Florestal e Ambiental», esperemos que PSL pense, reflicta, e veja que o estado de alma de Monsanto é Aterrorizado!
Concordo consigo.
Monsato foi e ainda é um Parque Florestal. Nunca foi um jardim.
Afixado por: André em abril 6, 2004 01:50 PM