Os azulejos que cobrem as paredes de Lisboa contam a história de uma cidade feliz. Este livro convida-nos a descobrir uma Lisboa mais secreta, onde a memória e o imaginário se sobrepõem. Este livro de História lê-se como se fosse um romance, mas permite-nos saltitar entre as várias épocas (capítulos) da cidade: rever o século XX e depois regressar aos fenícios ou às judiarias, às sedas e brocados da Rua Nova no século XVI ou ao Marquês de Pombal. No capítulo final, Sobreposições, encontramos algumas notas pessoais que demonstram bem a sensibilidade de Dejanirah Couto. Eis um extracto. "Rua Sebastião Saraiva Lima. (...) Em certos dias, o silêncio da rua era quebrado pelo assobio estridente do amolador, que passava com a sua carroça. Assim que ouviam esse som pungente, as donas de casa diziam umas às outras que vinha lá chuva. A vida desenrolava-se então em pátios interiores e escadas de serviço. Sentados nos degraus, os inquilinos falavam uns com os outros enquanto descascavam favas ou ervilhas. Antes do Natal, era aí que os perus ficavam sem pescoço, perante o olhar aterrorizado das crianças. As escadas serviam também para mandar recados, fazer os trabalhos da escola, fumar cigarros de barba de milho às escondidas, ou ler o Detective."
Desanirah Couto foi mais uma das muitas pessoas que fugiram para França por não concordarem com o Estado Novo, na sua entrevista à revistaMáxima (via Google), Desanirah explica-nos porque saiu, porque não voltou, e porque acha Lisboa uma cidade feliz. Foi com uma leitura devoradora que li este excelente livro sobre a história da minha cidade. Uma boa oferta de Natal a todos os Lisboetas, para que os mesmos, conheçam ainda mais a sua história. Uma última nota para corrigir, se é que possível a autora, os manjericos não murcham se se tocarem, mas sim se se cheirarem directamente.